4 de julho de 2013

Vortemos ao Mural da Vida o/

@botecofilosofico: olá pessoal, estamos de volta com as atividades desse pouco lido e apreciado, mas sincero - e esforçado ao máximo (ou nem tanto) - blog de provocações e pensamentos, devaneios e surtos críticos. E como estamos "na rede", decidi re-inaugurar o blog com um post no estilo à la jovem crítico internauta, pseudo-revoltados da net, ou simplesmente twitteiros e facebookeiros (não sei se os termos são corretos, mas que se lasque) que gostam de expor suas vidas no mural da vida de suas redes sociais ;)

#partiu #postagem #botecofilos #estamosdevolta #reflexão


"Em suma: outro lado da individualização parece ser a corrosão e a lenta desintegração da cidadania [...]. Se o indivíduo é o pior inimigo do cidadão, e se a individualização anuncia problemas para a cidadania e para a política fundada na cidadania, é porque os cuidados e preocupações dos indivíduos enquanto indivíduos enchem o espaço público até o topo, afirmando-se como seus únicos ocupantes legítimos e expulsando tudo mais do discurso público. O 'público' é colonizado pelo 'privado'; o 'interesse público' é reduzido à curiosidade sobre as vidas privadas de figuras públicas e a arte da vida pública é reduzida à exposição pública das questões privadas e a confissão de sentimentos privados (quanto mais íntimos, melhor). As 'questões públicas' que resistem a essa redução tornam-se quase incompreensíveis [...]. Compartilhar intimidades, como Richard Sennett insiste, tende a ser o método preferido, e talvez o único que resta, de 'construção da comunidade'."

Zygmunt Bauman - Modernidade Líquida (capítulo 1 - Emancipação)

O Gigante acordou?

Saudações aos Leitores!

Estreando no Boteco Filosófico; E começando com um assunto que percorreu o Brasil nos últimos dias, e há quem acredite que ainda percorre e percorrerá muito mais.


Fiz alguns apontamentos e lamentos sobre o assunto, são duas partes que delas fiz uma.


I - Parte


Respondendo a pergunta do título

Olha, se ele acordou ou não, isso eu não tenho certeza, mas que ele deu uma bela duma sacudida, ah isso ele deu!

Eu acredito que muita gente, assim como eu, não entende qual a razão do Brasil ter entrado nessas manifestações justamente agora. 


- Por causa dos 0,20 centavos? 

- Pelo fato de que o Brasil não aguenta mais tanta irregularidade, e agora foi a gota d'água?

Tentei, mas não consegui achar outro motivo.


Bem, a respeito dos manifestos pelo Brasil, existem alguns posicionamentos das pessoas que tenho observado:


- Quem apoia

- Quem apoia e vai às ruas
- Quem não apoia 
- Quem finge que apoia e quer estragar

Sobre todos esses tipos tenho algumas coisas a dizer:


1. Triste mas verdadeiro


O Brasil vai de mal a pior, SIM. (independente dos outros países)



2. Protestar!


Somos uma nação e temos que protestar sim, se não está bom para a grande maioria, temos que protestar sim! Pois ELES estão lá no poder porque nós "deixamos", e também para nos representar, para governar o nosso país. Quem nunca viu alguém exigindo direitos privilegiados porque pagou por algo? Eu já. E nós pagamos impostos, não é? E Aqueles Que Nos Representam são pagos, Bem pagos, por todos nós, pelo nosso País. (Como tanta gente pode ficar parada?)



3. Corrupção. 


Corrupção... É lamentável essa condição dos políticos do nosso País. Eu acho um absurdo o cara cometer algum crime, alguma corrupção, e permanecer ali. PORQUE? Não pode! Você deixaria uma pessoa criminosa liderar sua família sabendo que ela já cometeu alguma infração contra ela??? Gente, o País é a mesma coisa. É a nossa Família. 


4. Onde está o problema?

 Em todos os anos vividos pela história do Brasil? Sim, o que vocês acham? Uma de minhas respostas para esta pergunta intrigante é todos os anos que se passaram no Brasil, desde muito tempo atrás. Não ao certo quanto tempo para isso. Mas o que está passando nas nossas TV's? E as revistas? E os brinquedos das crianças? E o que o estado está dando para nossos professores aplicarem? Tudo isso vem de antes, assim como a construção de uma casa, onde o seu levantamento só vem depois de uma base boa. O problema começou na exploração dos portugueses? Que fez do brasileiro um ignorante acomodado e trabalhador feliz? 

Finalizando 


Me desculpem o 4º tópico, esse assunto me incomoda muito, me faz pensar de formas desordenadas, e neste exato momento foi o que me ocorreu. 

Enfim, apenas espero que façam suas reflexões acerca do assunto e se quiserem podem comentar essa postagem com suas opiniões, sugestões, alívios, lamentos, reclamações... 


II - Parte


Nas últimas 24 horas, estive pensando como nunca estive sobre os manifestos e sobre a onda que corre sobre o nosso País.


Eu errei, eu sei. Devia ter feito isso como sempre fiz com outras coisas sérias que me vinham em questão. Tentando justificar o porquê dessa minha atitude, eu digo: A emoção, a emoção de poder VER um País que briga por seus direitos, um País que vai as ruas para manifestar suas indignações, por um País melhor! Desde minha infância sonhava com esse dia, e ver tudo o que vi, mexeu comigo.


Vou falar sobre o 4º Tópico da primeira parte.


Onde está o problema?


Obs: A internet é uma boa ferramenta para estudos. Porém, nela tem de tudo. Nela existe a expressão de várias opiniões. Podem haver tantas manipulações quanto na TV. Confunde.



Estudo. Leis. 


Vejo um destino onde todos os caminhos de minhas perguntas estão dando. Que destino é esse? Falta de interesse em política. (ou nenhum interesse em política)


Não fomos estimulados a gostar de política, não fomos estimulados a Ler sobre as Leis que regem o nossa Nação. Uma grande jogada para aprisionar todos brasileiros em uma zona de segurança contra protestos, contra revoltas. Para aprisionar-nos.


Vamos as ruas brigar sobre a PEC-37, mas espere aí, o que é a PEC-37?


Já vi dizendo que é bom para nós se lutarmos contra ela, já vi dizendo que é bom, na verdade, pros políticos se lutarmos contra ela. A internet. Ahhh internet. Se os brasileiros soubessem tão bem das leis, não aconteceria isso, essa confusão, não existiria quem pudesse confundir o povo. E é isso que eu estou vendo acontecer. 


E dizem por aí que lutar por democracia nas ruas, ou pedir coisas de cunho geral não resolve nada, como: educação, saúde, moradia. 


O que nos deixa encurralados: 


- Não podemos protestar sobre assuntos específicos pois não sabemos das leis e estamos fadados a cometer muitos erros.  

- Não podemos protestar sobre assuntos gerais da nossa nação pois não são tão fáceis de serem resolvidos como os específicos, e portanto, acabam sendo difíceis de "dar em alguma coisa".

 Não podemos protestar? É isso mesmo que eu estou vendo acontecer?

E ficar parados? Podemos? Não!!

Certo João Gustavo, se não podemos protestar e não podemos ficar parados, o que vamos fazer?


ESTUDAR!


Ou ao menos, estimular nossas crianças desde pequenos a gostar e a ler as Leis Que Regem Nossa Nação! Que fique um APELO aos professores de todo Brasil! Vamos estimular nossas crianças para que elas tenham gosto em saber sobre as Leis! Quero ver o que os políticos vão fazer se isso acontecer.


O gigante acordou? SIM! Ele acordou, agora precisamos nos mexer, ainda não é A Hora. E tenho a convicção de que em meio a tantos emaranhados de ideias e ideais isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde, ou então, o ciclo maldito e vicioso se repetirá.


Essa é a nossa oportunidade! Vamos fazer a nossa parte o máximo que pudermos! Vamos!



Me despeço deixando uma frase que pensei a poucos instantes como um sopro do vento, a todos vocês, meus amigos leitores:


O brasileiro deveria estudar sobre as Leis assim como um religioso estuda sobre a bíblia!


Avante Brasil!

19 de dezembro de 2012

Tá certis!


    Já previam os saudosos trapalhões com o grande mestre do humor Mussum: só tomamos partido daquilo que nos afeta, o bem comum é apenas consequência do bem individual. Pimenta no olho do outro é refresco quando estou confortável e o comodismo indolente se arrasta junto com o avanço.

"A covardia coloca a questão: 'É seguro?'
O comodismo coloca a questão: 'É popular?'
A etiqueta coloca a questão: 'é elegante?'
Mas a consciência coloca a questão, 'É correto?'
E chega uma altura em que temos de tomar uma posição que não é segura, não é elegante, não é popular, mas o temos de fazer porque a nossa consciência nos diz que é essa a atitude correta."

Martin Luther King

Muito Prazer :)

Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
Peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
Na ponta dos cascos e fora do páreo
Puro sangue, puxando carroça

Muito prazer me chamam de otário
Por amor às causas perdidas.

Muito prazer... Ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas

Até tu ó morte?!




"A morte, o único mal irremediável. Aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra. Aquele fato sem explicação que guarda tudo o que é vivo em um só rebanho.
Porque tudo o que é vivo, morre."
Chicó - O Alto da Compadecida (Ariano Suassuna)

   Até tu ó morte, estás banalizada? A mais bela e fiel companheira do homem; a única que nos acompanha eternamente; a senhora que nos sonda e aguarda ansiosa nossa chegada ao seu palácio; dona que não faz distinção, que não abre mão, que nos acolhe sem interesse vão. Como caístes na maior artimanha criada pelo homem: a arte de tornar produto a vida de um cidadão? Ora pois, então a metafísica existe e é tão objetiva e concreta quanto o que vejo neste momento com os meus olhos, uma vez que tu ó morte, aquela que carrega todos os segredos do início e do fim, tão questionados pela metafísica e por mim, pode ser reproduzida em massa....

25 de setembro de 2012

O que é ficha limpa?


   A Campanha Ficha Limpa foi lançada em abril de 2008, pela sociedade civil brasileira com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre a vida pregressa dos candidatos com o objetivo de tornar mais rígidos os critérios de quem não pode se candidatar - critérios de inelegibilidades. Assim, o objetivo do Projeto de Lei de iniciativa popular era alterar a Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, já existente, chamada Lei das Inelegibilidades. 

  A iniciativa popular é um instrumento previsto em nossa Constituição que permite que um projeto de lei seja apresentado ao Congresso Nacional desde que, entre outras condições, apresente as assinaturas de 1% de todos os eleitores do Brasil. 

  O projeto Ficha Limpa circulou por todo o país, e foram coletadas mais de 1,3 milhões de assinaturas em seu favor – o que corresponde a 1% dos eleitores brasileiros. No dia 29 de setembro de 2009 o Projeto de Lei foi entregue ao Congresso Nacional junto às assinaturas coletadas. 

   A ABRACCI, o MCCE e cidadãos de todo o país acompanharam a votação do projeto de lei na Câmara dos Deputados e no Senado, que foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 4 de junho de 2010, Lei Complementar nº. 135/2010, que prevê a lei da Ficha Limpa. 

  Quase dois anos depois de entrar em vigor, a Lei da Ficha Limpa foi declarada constitucional pela maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 16 de fevereiro de 2012. Por sete votos a quatro, o plenário determinou que o texto integral da norma deve valer a partir das eleições de outubro de 2012. 

   A Lei da Ficha Limpa é uma conquista histórica da sociedade brasileira. Mas será possível que um problema tão real e preocupante como a corrupção possa ser resolvido com uma solução tão simples como a Lei da Ficha Limpa? Será a lei da Ficha Limpa o fim dos problemas políticos do Brasil?



19 de setembro de 2012

Conhece-te a ti mesmo


O ser racional, que busca desvendar os mistérios do mundo; que provoca, questiona, supõe; aquele que busca a resposta para as coisas sem explicação; que teoriza, estuda, erra; o ser que quer tornar o mito, ciência, dados; e que muitas das vezes torna os dados e ciências, mitos; ele que compreende tudo, mas não compreende nada; e que permanece, ainda, não esclarecido a ele mesmo: homem.


E a sina prossegue...

   Aloha! Como andam meus caros filósofos de plantão, provocadores e pseudo-intelectuais, ou como dizia meu caro amigo Ricardito: "técnicos do conhecimento formal" - que crítica haha. 
   Lembro-me de ter postado em agosto de 2011 algumas considerações acerca dos resultados das olimpíadas e paraolimpíadas de Pequim em 2008. Na citada postagem recordo de ter comparado todo o investimento feito nos esportistas olímpicos e na cobertura do evento e o retorno insatisfatório quanto ao quadro de medalhas, provocando assim um diálogo com o pouco investimento e pouca cobertura realizada nos jogos paraolímpicos e, ao contrário, seu retorno muito satisfatório e digno de mérito, colocando o Brasil no 9° lugar no quadro de medalhas, enquanto nas olimpíadas o país encerrou suas disputas em 23° lugar. O link daquela sucinta consideração que foi postada segue aqui: http://botecofilos.blogspot.com.br/2011/08/quem-merece-maior-merito.html

     Só queria relembrar tal reflexão realizada naquela época, pois após o final das olimpíadas e paraolimpíadas de Londres desse ano (2012) notei as mesmas coisas que já tinha explanado sobre os jogos de Pequim. E novamente os atletas paraolímpicos superaram os olímpicos, trouxeram maior número de medalhas e colocaram o Brasil mais uma vez entre os 10 primeiros, enquanto a cobertura de suas disputas, suas conquistas e investimentos permanecem negligenciados.


Atletas olímpicos - 17 medalhas ao todo, sendo 3 ouro, Brasil 22° lugar.

Atletas paraolímpicos - 43 medalhas ao todo, sendo 21 de ouro, Brasil 7° lugar.


    E aí Rio2016, quem merece maior mérito, maior investimento? Ou melhor, será que é coerente dar maior investimento ou maior cobertura pra um só?
E a sina prossegue...

Gramsci e a indiferença


    "Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.

   A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.

   A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.

   A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admite agnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.

    Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.

  Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes."