27 de julho de 2012
26 de julho de 2012
O que faz a minha cabeça?
Idéias, conceitos, termos, ismos e mais ismo, onde estão? Quero tê-los! Vamos fabriquem mais, neologismos, neo-neologismos e pseudo-neologismos. Operários do conhecimento, produzam e eu comprarei. Façam minha cabeça e eu colocarei seus nomes na história. Pensar cansa, quero algo pronto, um conhecimento tão rebuscado que faça minha retórica tremer a terra com palavras cheias de letras e fonética quase impronunciável, mas vazias de sentido!
Um rosto lindo e um sorriso encantador e um jeitinho de falar que me pirou, que me pirou o cabeção!
Seria essa a gênese do preconceito?
Antes
de mais nada temos que compreender o que a palavra preconceito guarda em sua
etimologia, pois o disseminar dela durante as relações sociais de nosso
contexto tomou um sentido totalmente pejorativo, influenciado pelo
sensacionalismo de algumas campanhas e de algumas situações onde a
discriminação e rejeição - seja ela étnica, cultural ou de qualquer outra
natureza - causaram danos as pessoas atingidas.
Pré-conceito:
formular um conceito antecipado, uma análise precipitada da situação, objeto ou
pessoa de acordo com as ideias que já possuímos.
Não
discordando da verdade que existe no preconceito - a realidade do lado negativo
que se alicia ao desprezo e rejeição - o preconceito em si não é algo ruim, e é
claramente algo natural e intrínseco ao homem.
Alguns
exemplos simples para ilustrar o que estou dizendo são: a própria filosofia e
seu "espanto" ou "admiração", que se depara com o desconhecido
e tendo em mãos o que já conhece estabelece de antemão uma conceituação; ou as
ciências ao estudar um fenômeno age da mesma maneira, e ao vê-lo pela primeira
vez, tenta fazer ligações com as leis, regras e teorias já conhecidas; o senso comum, onde, no contato com o
desconhecido, o comparamos a algo já familiar para lhe atribuir um sentido,
mesmo que seja de modo precipitado: ora, quem um dia não teve tal atitude de
deparar-se com o novo e formular um significado para o conceito antes mesmo de
conhecê-lo?
Mas
isso ainda não nos garante que o preconceito é de fato algo intrínseco ao
homem, pois só garante talvez que isso seja um costume ou hábito muito
disseminado que pode ser superado. Então lá vamos nós as formalidades - e como
eu as amo e ao mesmo tempo as odeio!
Moscovici,
autor de "Representações Sociais, investigação em psicologia social"
(muito bom e recomendo a sociólogos, psicólogos, filósofos e historiados que
gostem de ler Paul Ricouer), apresenta em um capítulo de seu trabalho - capítulo
intitulado "O Familiar e o Não Familiar" - alguns fatores que
explanam o porque do preconceito e como ele é intrínseco ao homem.
O
autor quando aborda esse capítulo mostra que nas relações os indivíduos, ou um
grupo determinado, ao ter contato com o novo - o não familiar - tende a
estranhá-lo e, assim, o que não é familiar e que difere da realidade daquela
pessoa, ou grupo, passa a não participar de suas convenções e ultrapassa os
limites do que é interessante, não dizendo respeito a praticidade nenhuma.
Trocando em miúdos: isso o torna algo irreal ante a realidade da pessoa, ou
grupo.
Mas
esse irreal não é algo estático, e sim, muitas vezes, algo que gera incômodo:
“É desse modo que os doentes mentais,
ou as pessoas que pertencem a outras culturas, nos incomodam, pois estas
pessoas são como nós e contudo não são como nós; assim podemos dizer que eles
são ‘sem cultura’, ‘bárbaros’, ‘irracionais’ etc. (...) todos os que foram
exilados das fronteiras concretas de nosso universo possuem sempre
características imaginárias; e pré-ocupam e incomodam exatamente porque estão
aqui, sem estar aqui; eles são percebidos, sem ser percebidos; sua irrealidade
se torna aparente quando estamos em sua presença.”
(MOSCOVICI, 2011, P.56)
Pensemos então: quando vemos que o
não familiar se torna algo irreal ao grupo, não como desprezo, mas como não
pertencente a realidade do grupo, vemos o processo da “admiração” ou “espanto”,
o contato com o novo. Usando da citação acima podemos perceber o que seria aí,
talvez, a gênese do preconceito “negativo”, como forma de exclusão. Mas o que
explicaria o formulação de uma concepção antecipada que de um sentido ao novo?
A resposta é um novo conceito que Moscovici introduz: a re-apresentação.
A re-apresentação é um processo que
age dando um novo significado aquilo que não o possui dentro do grupo, ou seja,
torna familiar aquilo que ainda não o é. Tomemos por exemplo a seguinte
situação apresentada por Moscovici:
Um grupo toma contato pela primeira
vez com o conceito psicanálise. Esse conceito, não familiar ao grupo, é uma
irrealidade para eles, vazio de sentido. Para tornar esse conceito familiar e
com um sentido para o grupo usa-se da re-apresentação: a psicanálise é
comparada a uma confissão religiosa, e, assim, ela passa a ser nesse grupo uma “espécie
de confissão”.
O processo de re-apresentação não é
uma mera analogia, mas fixa o conceito em algo “similar” já conhecido pelo
grupo, proporcionando assim a familiarização de conceitos. É uma junção real e
uma mudança de valores e sentidos extremamente significativa: o conceito até
então não familiar e vazio de sentido toma a realidade e contexto do grupo, que
o adequa ao seu “mundo”.
Assim o processo de tornar o não
familiar, familiar, acaba apenas retornando a uma ideia já conhecida pelo
grupo, a uma imagem já presente em sua realidade, não havendo um real envolvimento
e uma real compreensão do novo. Não se compreende o conceito em seu contexto,
mas dá-se sentido a ele a partir do próprio contexto do grupo em que o conceito
não é familiar.
Talvez esteja aí a gênese do
pré-conceito e do preconceito (negativo), ao analisar o novo e dar a ele
significado através da nossa própria realidade, deixando de lado a realidade
onde o conceito nasceu e o significado que ele realmente possui.
Entende-se que o processo de tornar o não familiar, familiar, se dá no que Moscovici chama de Universo Consensual, ou seja, as relações nos clubes, salões, bares, rodas de amigos e conversas informais, longe do Universo Reificado como a ciência e as linguagens próprias e pré-estabelecidas.
MOSCOVICI, S. "Representações Sociais - Investigação em Psicologia Social". 8ª ed. Vozes: Rio de Janeiro. 2011.
18 de julho de 2012
Prosperar: o que será necessário?
Muito bom documentário, vale a pena conferir. Principalmente pela compreensão do funcionamento da economia global e proposta de tornar o mundo um lugar melhor. Quem sabe a utopia não vence o conformismo e o pessimismo...
15 de julho de 2012
Ser ou não ser: O que vale mais?
"Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para suas crianças e seus adolescentes. Não é o Produto Interno Bruto. É a capacidade do país, do governo, e da sociedade de proteger o seu presente o seu futuro, que são suas crianças e seus adolescentes"
Nossa saudosa presidente - ou presidenta, não sei mais qual dos dois dizer - pronunciou tal afirmação durante a 9ª Conferência dos Direitos da Criança e do Adolescente após críticas em relação ao baixo crescimento do PIB no Brasil. Sobre PIB vamos voltar um pouco no tempo e relembrar os pronunciamentos do governo no início do ano em relação às expectativas do crescimento do PIB no país.
No início do ano fora estipulado que o país cresceria 3% em relação ao PIB do ano de 2011 que atingiu R$ 4,143 trilhões. Após alguns meses desse primeiro semestre do ano de 2012 o governo declarou, após o surgimento de algumas críticas, que o país cresceria ao menos o mesmo tanto que o ano de 2011, que fechou taxa de crescimento de 2,7 em relação ao ano anterior (2010). E após uma revisão feita em junho veio a declaração que o país cresceria 2,1 em sua economia nacional (CNI - Confederação Nacional da Indústria).
Diante disso coloco-me a pensar: seria o Brasil, grande potência econômica, grande promessa como um país em ascensão, o tal país emergente; seria ele realmente uma grande promessa, ou seria apenas mais um brilhante trabalho de marketing, como a vinda daquele jogador japonês, Zizao, ou sei lá o que, para o Corinthians? Melhor dizendo, o que vale mais: ser ou não ser essa potência econômica? Melhor ainda: devemos nos preocupar como o PIB ou com o país? Não sei se o PIB pode ser visto como uma base. Acho que os valores estão um tanto quanto trocados: não seria o PIB uma consequência dos atos realizados no país?
Estar fixado demais em estipular o quanto a economia do país vai crescer durante o ano e depois fazer algo para que ela cresça me parece uma bestialidade não? Números não enchem barrigas, e muito menos tiram o país da pobreza. E nem sei se PIB alto é sinônimo de boa vida no país... As vezes esses termos se apresentam de modo até mesmo contraditório.
Claro, nossa presidente(a) foi oportunista e popular ao pronunciar tais palavras, ainda mais ao falar de seu já conhecido discurso sobre a erradicação da miséria e seu empenho no futuro dos jovens e crianças. Ponto para ela! Mas não quero discutir economia nem os direitos da criança e do adolescente, e sim provocar: O que realmente é um país de primeiro mundo? Não estaríamos andando a contramão do progresso ao buscarmos por números no PIB?
O que vale mais: o ouro ou a prata, o pingado ou o pão? Acho que em alguns momentos o pingado ou o pão é mais valioso!
3 de julho de 2012
2 de julho de 2012
Como resolver os problemas?
PENSAR E AGIR?
OU AGIR E PENSAR?
Seriamos nós, os seres mais evoluídos de toda a evolução animal, detentora da grande RAZÃO moderna, seres realmente pensantes?
14 de maio de 2012
Apenas uma brincadeira para pensar os condicionamentos
Ressalvas desde já: não sou marxista (melhor dizendo, não sou nenhum ista e outros termos que rementem os nomes de pensadores - talvez eu seja sim pelogiano hahaha), mas tenho certo apresso por essa compreensão de Marx sobre o processo de alienação a partir do disseminar das ideologias. Resolvi portanto, logo no primeiro ano de faculdade, brincar com esses termos. Portanto desde já peço perdão pela imaturidade do texto, mas não poderia degrenir minha própria obra, enquanto valor histórico da construção e compreensão do meu pensamento.
Compreendendo que não é centro de
discussão questionar uma prática religiosa - até por que, como nos diz Hume, o
milagre (manifestação dos deuses) pode até existir, mas eu não posso provar,
pois vai além da realidade empírica humana; e mesmo que aconteça um milagre
comigo não posso explica-lo ou levar outro a crer –, mas usando o mito grego
como ilustração e metodologia – se assim pode ser chamado, guardando as devidas
proporções – gostaria de leva-los a pensar alienação e ideologia nos dias de
hoje através dos resquícios opressores da antiguidade mítica que remontam a
historia nos dando assim respaldo para compreendermos essa problemática em
nossos dias; criar uma analogia que aproxima as duas épocas tão distantes pela
linha cronológica.
Na antiguidade, como nos conta a história
grega, a religião que predominava era o culto por vários deuses, um politeísmo
que se ratificava na idéia de que cada deus correspondia a uma necessidade ou
situação, como Afrodite, deusa do amor. Esses deuses viviam no Olimpo, lugar
puro onde tudo era perfeito, ficando inacessíveis aos humanos e ao impuro, mas
existia uma ligação entre os homens e os deuses: os Oráculos. Os gregos
acreditavam que os Oráculos podiam expressar as vontades dos deuses para os
humanos, tomando assim decisões muitas vezes de grande peso social e político
com base na interpretação feita desse oráculo. Essas “manifestações” dos deuses
nos Oráculos eram, portanto, determinantes nas relações sociopolíticas dos
gregos antigos, pois eram interpretadas como vontades supremas e perfeitas, uma
vez vindas de um deus. É, portanto, intrigante nos depararmos com essa situação,
quando iluminados somente pela luz da razão, sem a pretensão de fazer critica
ao dogmatismo religioso, pois ela nos apresenta-se forçosamente como uma forma
alienadora dos indivíduos às vontades de deuses que mandam e desmandam o seu
bel prazer. Ora, uma vez que a particularidade do individuo é algo inato e
natural, ativo através de suas opiniões e pontos de vista, essas decisões
condicionadas pelas vontades dos deuses fazem com que uma pressão de cunho
alienador seja exercida sobre essa particularidade dos indivíduos,
comprometendo suas decisões.
“Depois disso a tirania tornou-se muito mais severa. Para
vingar o irmão, Hipias matou ou exilou muitas pessoas, o que fez com que fosse
desacreditado e odiado por todos. Cerca de três anos depois da morte de Hiparco,
Hipias tentou fortificar Muníquia por causa de sua impopularidade na cidade de
Atenas. Ele pretendia mudar sua residência para lá, mas enquanto mudava foi
expulso por Cleômenes, o rei de Esparta, porque os espartanos estavam recebendo
repetidas mensagens dos Oráculos instruindo-os para terminar com a tirania em
Atenas.”
(ARISTÓTELES.
Constituição de Atenas. Os
Pensadores, São Paulo, Nova Cultural, 1999. p. 270)
Nesse trecho da obra de Aristóteles
vemos o poder de influência do Oráculo sobre as decisões sociopolíticas na
cidade de Atenas. E ela se torna muito mais significativa nesse palco de ideologias
e ações que geram alienação quando nos atentamos ao detalhe de que a história
ateniense foi mudada por espartanos que não tinham, em seu âmbito geográfico
social, nada que se intrometer na história da evolução de Atenas, alarmando
ainda mais a idéia de que isso se tornava uma ação alienadora e de âmbito até
mesmo ditador. Não muito distante dessa mesma idéia a nossa contemporaneidade
apresenta dentro de sua complexidade um fator que desenvolve as mesmas funções
do oráculo enquanto meio ditador de ideologias: a mídia. Ela nos impõe as
idéias que estão acima de nós, como as idéias narcísicas, idéias de dever e de
o que fazer e o que não-fazer, ratificando essa relação nas dinâmicas e nas
influências do Oráculo da antiguidade e dessa mídia contemporânea. A mídia, ao
apresentar as ideologias que assolam o território amplo da modernidade, leva os
indivíduos a negar muitas vezes a sua subjetividade para adotar as idéias
impostas por ela, gerando uma anomia social, ou seja, um estado que aliena a
pessoa às marés das grandes massas, privando-o assim de usar de sua livre
faculdade da razão para determinar suas decisões e ações. E o interessante
dessa dinâmica é que os elementos ditadores dessas ideologias que geram a
alienação, tanto na antiguidade como em nossa contemporaneidade, não são nem o
Oráculo nem a mídia em si, mas terceiros que exercem, através desses meios,
suas vontades ideológicas alienantes: os deuses e a sociedade burguesa,
respectivamente. Esses dois “personagens” da história através de suas vontades
levam, por sua força representativa, massas a aderirem seus ideais,
contribuindo assim para o fim hedonista de suas vontades.
“[...]
a ideologia é um dos instrumentos da dominação de classe e uma das formas da
luta de classe. A ideologia é um dos meios usados pelos dominantes para exercer
a dominação, fazendo com que esta não seja percebida como tal pelos dominados.”
(CHAUI,
Marilena. O que é ideologia. 38ª
ed., São Paulo, Brasiliense, 1994. p. 86)
Marilena Chauí nos mostra claramente
nesse trecho que a ideologia é uma forma de induzir e assim alienar as pessoas,
só que não é um termo somente negativo, como no sentido pejorativo que acabou
tomando, mas uma forma que apresenta idéias e conceitos de como proceder tanto
para os dominadores como para os que buscam desvencilhar-se dessa alienação. É,
portanto, claro à nossa razão, que as ideologias alienantes vem desses grandes “personagens”,
visando apenas um desenvolvimento, um progresso ou uma evolução para sua
própria situação, levando cada vez mais as massas a se amarrarem nessas
sugestões opressoras. Isso então ratifica mais uma vez quão próxima é a
opressão da antiguidade com a opressão contemporânea. E compreendendo o Mito da
Caverna de Platão, escrito no Livro III de A
República, não só como uma forma de explicar a dinâmica de sua teoria do
mundo das idéias, mas como argumento que nos ajuda a fundamentar essa
problemática, pois contêm em seu roteiro elementos que se remontam nessa
realidade das ideologias alienadoras. Algo muito interessante colocado por
Platão é a indolência na busca da verdade, ou seja, a falta de interesse em
parar de olhar para uma mesma direção e olhar para o que acontece ao redor,
descobrindo que as coisas que estão acontecendo estão sendo postas por
terceiros e não pela sua subjetividade.
“As idéias da classe dominante são, em
cada época, as idéias dominantes; isto é, a classe que é a força material
dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, força espiritual dominante [...] As
idéias dominantes nada mais são do que a expressão ideal das relações materiais
dominantes, as relações materiais dominantes concebidas como idéias [...] Os
indivíduos que constituem a classe dominante possuem, entre outras coisas,
também consciência e, por isso, pensam; na medida em que dominam como classe e
determinam todo o âmbito de uma época histórica, é evidente que o façam em toda
sua extensão e, conseqüentemente, entre outras coisas, dominem também como
pensadores, como produtores de idéias; que regulem a produção e a distribuição
das idéias de seu tempo e que suas idéias sejam, por isso mesmo, as idéias
dominantes da época [...]”
MARX,
K., ENGELS, F. A Ideologia Alemã. v.
1. Lisboa Presença, 1845. p.72)
Isso mostra o quão repressora essas
ideologias se tornam quando exercem sua força sobre as classes tidas como
dominadas nesse contexto de interesses sóciopolíticos. Rebelar-se, portanto,
contra essa alienação, a favor do pensamento, assim como aquele personagem do
mito escrito por Platão, parece coerente à razão e proporciona a libertação
dessa ideologia negativa e alienadora, através do uso da mesma ideologia no
objetivo de esclarecimento e busca da verdade: uma Aufhebung.
Mas essa força para a mudança (emancipação) surgiria de onde?
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